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1908 É criado com o nome de Archivo Público Espírito-Santense em 18 de Julho de 1908 pelo decreto nº 135 do Presidente do Estado, Dr. Jerônimo de Souza Monteiro, como um anexo à Biblioteca Pública. Em 02 de Dezembro do mesmo ano, a repartição foi minuciosamente regulamentada pela lei nº 559, ficando dependente da Secretaria Geral do Governo. O acervo existente e a ser recolhido ficou então dividido em quatro ordens: 1ª Legislativa e Administrativa; 2ª Judiciária; 3ª História e Geografia (compreendendo quaisquer manifestações do desenvolvimento científico) e 4ª Literária e Artística. A lei nº 559 prevê em detalhes que documentos ou objetos cada uma destas ordens abrigaria. Prevê também a criação de uma biblioteca anexa ao Arquivo Público e o recolhimento de peças museológicas ao Arquivo, até o estabelecimento de um museu.
1909 Em fevereiro de 1909, assume o exercício, o Dr. Henrique Alves de Cerqueira Lima, primeiro Diretor do Arquivo Público.
1910 Conforme o livro de atas de diversas inaugurações ocorridas na administração estadual de 1908-1912, o Archivo Público Espírito-Santense foi instalado em 1910 em um dos Salões do Palácio do Governo.
1914 A união entre Biblioteca e Arquivo Público é mantida e mesmo reforçada pelo decreto nº 1.738 de 31 de Março, publicado em 18 de Abril de 1914, que novamente regulamenta a administração estadual. Este último instrumento legal estava calcado na lei nº 559. Repete-a em muitas passagens (quando mantém a divisão do acervo em quatro ordens), mas amplia as funções da repartição (quando estabelece a edição de uma Revista do Archivo Público, por exemplo).
1921 Pelo decreto nº 4.404 de 14 de Junho de 1921 a Biblioteca e o Arquivo Público passam, ainda unidos, para a Secretaria do Interior.
1923 É nomeado Diretor Geral o Coronel Augusto Calmon Nogueira da Gama, em Março de 1923. Em relatórios e outros expedientes é muito referido um vazamento de águas das chuvas ocorrido no local onde funcionava Arquivo Público em 1923. Também o desaparecimento de parte do seu “depósito” consumido pelo cupim.
Imóvel onde funcionava o Fórum de Vitória e que foi demolido para em seu lugar ser construído o prédio que abrigaria, em 1926, o Archivo Público Espírito-Santense e a Biblioteca Pública Estadual.
1924 A lei nº 1.448 de 10 de Julho de 1924 criou o cargo de Chefe de Seção, Superintendente da Biblioteca e Arquivo Público, tendo sido, para o mesmo, nomeado o Sr. Moysés de Medeiros Accioly, que exerceu o cargo até 1938.
1925 Durante este ano na administração do Presidente do Estado Dr. Florentino Avidos, foi construído o edifício sede do Arquivo Público Estadual e Biblioteca.
1926 Com a Biblioteca nele instalada, o prédio situado à Rua Pedro Palácios, antigo n.º 20, hoje n.º 76, foi inaugurado em Novembro de 1926. Moysés de Medeiros Accioly encontra o Arquivo Público em mal estado nos fundos do andar térreo do Palácio do Governo, quando procede a sua mudança, em Dezembro de 1926, para a nova sede dotada de melhorias significativas para a época como, por exemplo, estantes de aço.
1927 O relatório do diretor da repartição ao Secretário do Interior, referente ao ano de 1927, traz a seguinte e elucidativa passagem: Dada a desordem e confusão em que se acham os antigos livros, documentos e papéis, resolveu V. Exa. conseguir do governo a designação de uma Comissão, sob a chefia do ilustrado desembargador Carlos Xavier Paes Barreto, para se incumbir da classificação e catalogação de todos os papéis, documentos e livros úteis, a fim de poder regularmente funcionar este importante departamento. (...) Não tem sido poucas as dificuldades encontradas pela mencionada Comissão no desempenho de suas funções, em virtude do baralhamento em que se encontram os papéis recolhidos ao Arquivo. (...) Não obstante, acha-se quase completo o trabalho de separação, classificação, catalogação e encadernação da seção histórica, estando adiantados os das seções administrativa, legislativa e judiciária. (...) Somente após a reorganização dos papéis e documentos já depositados no Arquivo, convirá ser solicitada das diversas Secretarias de Estado a remessa de papéis, documentos e livros anteriores a 1923, afim de ser procedida a devida classificação e catalogação. De outro modo virão tais papéis aumentar a confusão existente, pela mistura que, inevitavelmente, se dará.
1930 Em 02 de Janeiro de 1930 o pessoal custeado pela verba “Serviço de Reorganização do Arquivo Público” é dispensado, por não mais existir tal verba no orçamento daquele ano.
1931 Em abril de 1931 os papéis pertencentes ao arquivo do extinto Congresso Legislativo foram removidos para o Arquivo Público, onde, em setembro do mesmo ano, concluiu-se sua reorganização.
1935 Em abril de 1935 os referidos papéis são entregues ao diretor da Secretaria da Assembléia Constituinte. Do relatório de Moysés de Medeiros Accioly, diretor da Biblioteca e Arquivo Público, referente ao ano de 1935 é interesante transcrever o seguinte: O departamento acha-se sob a imediata dependência da Secretaria do Interior. Na reorganização do Arquivo, em 1927, procurou-se estabelecer o critério de assinalar-se certas épocas distintas da Literatura do Brasil, havendo coleções em separado da que se refere, por exemplo, à escravidão, aos indígenas, etc. Não há regulamento impresso. A consulta é feita tendo à mão o catálogo geral ou o especial.
1936
1943 É desfeita, do ponto de vista administrativo, a união entre Arquivo e Biblioteca Pública. É conveniente ressaltar a estreita vinculação que existiu nos serviços do Estado do Espírito Santo encarregados de publicações (livros, periódicos) e de documentos. A referida união vai ser responsável por uma série de distorções. Se em nossos dias a Biblioteca Pública não abriga em seu acervo documentos de arquivo, em compensação vemos a administração e o povo em geral considerar erroneamente o Arquivo Público como parte integrante da Biblioteca, que sempre se destacou na prestação de serviços. De acordo com a profunda reforma administrativa empreendida naquele ano pelo interventor federal Jones dos Santos Neves o Arquivo Público continua na Secretaria do Interior e Justiça e a Biblioteca Pública passa para a Secretaria de Educação e Saúde, mais tarde Educação e Cultura (decreto nº 142 de agosto de 1943, confirmado pelo art. 15 do decreto nº 15.090 de 28 de outubro de 1943).
1944 Neste ano o Arquivo Público inicia suas publicações com o CATÁLOGO, organizado por Moysés de Medeiros Accioly, referente a uma “serie” documental (artificial), de mesmo nome, integrante do Fundo Governadoria.
1945 Dando continuidade à suas publicações o Arquivo edita a transcrição do LIVRO DE TOMBO DE NOVA ALMEIDA, feita pelo professor Mário Aristides Freire com base em volume manuscrito pertencente ao acervo da instituição, recolhido em 1935.
1946 Em uma só obra, publicaram-se os seguintes trabalhos: 1) PARECER NA QUESTÃO ENTRE O ESTADO DO ESPÍRITO SANTO E OS BANQUEIROS J. LOSTE & CIA, de Ruy Barbosa; 2) A ORDEM DE SÃO BENTO NA CAPITANIA DO ESPÍRITO SANTO, de D. Clemente Maria da Silva Nigra; 3) ORQUIDÁCEAS NOVAS DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, de Augusto Ruschi.
1951 Com a obra CONSTITUIÇÕES DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, de Milton Caldeira, o Arquivo encerra, neste ano, a primeira fase de suas publicações.
1967 Devido à pronunciada decadência por que passa no final dos anos cinqüenta e boa parte da década de sessenta, o Arquivo Público é rebaixado em nível de simples seção, subordinada ao Departamento de Administração Geral (DAG) pela reforma administrativa implantada com a lei nº 2.296 de julho de 1967.
1971 Neste ano o DAG é transformado na Secretaria de Administração, continuando o Arquivo Público a ela vinculado.
1972 Por meio da cooperação entre Governo do Estado do Espírito Santo e o Departamento de História da Universidade Federal do Espírito Santo é dado o pontapé inicial na reorganização do acervo, sob a chefia da professora Gilda Rocha, de julho de 1972 a janeiro de 1975. Este convênio será responsável pelo “ressurgimento” da instituição no cenário capixaba.
1974 Em 12 de dezembro de 1974 a lei nº 2.942 eleva a repartição ao nível de diretoria, subordinada à Divisão de Seleção, Documentação e Divulgação e ela passa a ter regulamento próprio com um Serviço de Arquivística (possuindo as Seções de Documentação Escrita, Cartográfica e Fotográfica e de Pesquisa e Consultas) e o Serviço de Arquivoconomia (com a Seção de Conservação e Restauração de Documentos e de Reprografia).
1975 Reiniciam-se as publicações do Arquivo Público com o CATÁLOGO I organizado pela professora Gilda Rocha e publicado neste ano.
1976 O campo de atuação e as atividades do Arquivo passam a ser disciplinadas pelo decreto n.º 877-N de 25 de agosto de 1976. Depois de 1976 a cooperação UFES – Governo do Estado passa a ser feita entre este e a Fundação MUDES.
1978 O Arquivo publica a MEMÓRIA STATÍSTICA DA PROVÍNCIA DO ESPÍRITO SANTO ESCRITA NO ANNO DE 1828 POR IGNÁCIO ACCIOLI DE VASCONCELLOS.
1979 A Biblioteca Pública muda-se para sua nova sede na Praia do Suá, passando o Arquivo Público a ocupar toda a atual sede.
1980 Como o prédio, sede do Arquivo Público desde 1926, apresentava problemas de recalques e rachaduras em sua estrutura, executou-se ampla reforma das instalações físicas (incluindo rede elétrica e de água), quando foram instalados um laboratório de restauração de papel, um laboratório de processamento de microfilme, e construiu-se um galpão em terreno existente no fundo do prédio.
1981 Continuando as obras de reforma foi feita a substituição do piso térreo em ladrilho hidráulico por tacos de madeira e piso emborrachado.
1982 É concluída a reforma do prédio sede do Arquivo Público iniciada em 1980.
1983 A sede do Arquivo Público é tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual pelo Conselho Estadual de Cultura. Registrado no Livro de Tombo Histórico sob o nº 25, folha 04.
1986 O Arquivo publica o CATÁLOGO DE PLANTAS E MAPAS com aproximadamente mais de 300 plantas e mapas do acervo, a maioria do século XIX. Também é publicado neste ano JORNAIS E RELATÓRIOS DE PRESIDENTE DE PROVÍNCIA – ES EM MICROFORMAS: CATÁLOGO, instrumento que apresentava ao público o acervo já existente em microfilme naquela época.
1987 O Arquivo, pela lei n.º 3.932, de 14 de maio de 1987, é transformado em Órgão de Regime Especial, conforme definição do art. 6º, inciso III e parágrafo único da lei n.º 3.043, de 31 de dezembro de 1975. Na mesma lei é criado o cargo de Diretor de Órgãos de Regime Especial, conforme anexo único referente ao art. 13º.
1988 Assume a Direção-Geral do Arquivo Público a senhora Maria Inês Ribeiro Pupa.
1989 Fez-se a publicação da LEGISLAÇÃO REPUBLICANA DO ESPÍRITO SANTO – EMENTÁRIO 1889-1930 (vol. 1), dando continuidade a publicação do ano anterior.
1990
1991 É publicado o CATÁLOGO DE DOCUMENTOS ESPECIAIS – ACERVOS FOTOGRÁFICOS (1951-1955), abrangendo todo o governo Jones Santos Neves.
1993 É impresso o INVENTÁRIO DO FUNDO FAZENDA – GRUPO COLETORIAS (1836-1966) volume I, importante instrumento de pesquisa do maior fundo documental do acervo do APE/ES.
1994 Reestruturado pela lei complementar n.º 47, de 22 de março de 1994, continua sendo subordinado à Secretaria de Estado da Administração e dos Recursos Humanos – SEAR, mantendo sua natureza jurídica.
1995 Assume a Direção-Geral do Arquivo Público o sociólogo e escritor, Agostino Lazzaro.
1996 Conforme a lei complementar n.º 76, de 23 de janeiro de 1996, o Arquivo Público passou a integrar a estrutura organizacional básica da Secretaria de Estado da Cultura e Esportes, como entidade vinculada e descentralizada, sendo mantida sua natureza jurídica.
1998 Em 20 de julho 1998, quando já havia completado 90 anos, o APEES foi o primeiro arquivo do país a receber a documentação completa do "Projeto Resgate", que trouxe os registros, em microfilmes e CD-ROM, de documentos referentes à Capitania do Espírito Santo, pertencentes ao Arquivo Histórico Ultramarino, em Portugal, abrangendo um período compreendido entre os anos de 1585 até 1822. Na mesma data foi lançada a primeira página do APEES na Internet contendo, entre outras informações, a íntegra do CATÁLOGO DOS DOCUMENTOS MANUSCRITOS AVULSOS DA CAPITANIA DO ESPÍRITO SANTO (1585-1822) organizado por João Eurípedes Franklin Leal e que na mesma data foi lançado como publicação impressa integrando a Coleção Canaã, volume terceiro. Também é publicado o volume da mesma coleção: DONATÁRIOS, COLONOS, ÍNDIOS E JESUÍTAS: O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO, obra da historiadora Nara Saleto.
1999 Foram implantadas transformações estruturais nos serviços prestados ao público: uma parceria com o Ministério da Cultura proporcionou a informatização do APEES, além da aquisição de outros equipamentos. Montou-se um laboratório de fotografia em P/B e um CPD com diversos computadores e periféricos.
2000 Dentro da programação alusiva aos 150 anos da Insurreição de Escravos ocorrida no antigo distrito de Queimado em 1849, o Arquivo e a Prefeitura Municipal da Serra, promovem a Exposição dos 150 anos, exibindo além de reproduções de fotos antigas da igreja de São José do Queimado, uma série de reproduções fac-similares do jornal Correio da Victoria que iniciou sua publicação no ano da revolta. A exposição fechou o ciclo de eventos que lembraram os 150 anos do episódio.
2001 Em março a equipe do Projeto Imigrantes Espírito Santo fez atendimentos no município de João Neiva, nas localidades de Barra do Triunfo e Acioli. Os atendimentos fazem parte do projeto Arquivo Itinerante que visa facilitar o acesso dos comunidades do interior do ES às informações do APEES.
2003 Pelo decreto nº 1.128-R, de 03 de fevereiro de 2003 o Arquivo passa ser vinculado à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, sendo mantida a sua situação jurídica.
2004 No dia 17 de fevereiro, em solenidade no Palácio Anchieta, foi feita a comemoração dos 130 Anos de Imigração Italiana no Espírito Santo. No ato foi feita a entrega de Registros de Entrada de Imigrantes, produzidos pelo APEES.
2005 Em Maio, o APEES fez atendimento gratuito do Projeto Imigrantes ES na sede do município de Santa Maria de Jetibá e homenagem à vários descendentes.
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Organizado entre 2004-2006, por Rogério Frigerio Piva, Chefe do Departamento de Documentação Permanente do Arquivo Público Estadual.
Fontes: ACHIAMÉ, Fernando A. M. Guia Preliminar. Coleção Memória Capixaba, Série Instrumentos de Pesquisa, n.º 1. Vitória: Arquivo Público Estadual, 1981, p. 10-15. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO E CULTURA (ES). Catálogo de Bens Culturais Tombados no Espírito Santo. São Paulo: Massao Ohno Editor, 1991, p. 116-118. Home Page: www.ape.es.gov.br. Documentos do Acervo do APE-ES.
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